Quando chega a hora de fazer ou arrumar o site, quase todo dono de negócio começa do mesmo jeito. Pensa na cor que gosta, na foto que acha bonita, no texto que fala tudo que a empresa faz. Pensa, sem perceber, em si mesmo. E aí monta um site que agrada o dono e confunde o cliente.
O começo certo é o contrário. Antes de pensar no site, pense na pessoa do outro lado. Quem é ela, o que ela quer naquele momento, qual a dúvida que está passando pela cabeça dela quando abre a sua página. O site não é sobre você. É sobre ela.
Isso tem um nome técnico que assusta: UX, experiência do usuário. Traduzindo, UX é só isso: como é, na prática, para a pessoa do outro lado usar o que você fez. Se é fácil ou difícil, se ela acha o que procura ou se perde, se sai satisfeita ou irritada. Bom UX não é firula de designer. É a pessoa conseguir fazer o que veio fazer, sem esforço.
E o que a pessoa veio fazer quase nunca é “admirar seu site”. Ela veio resolver uma coisa. Saber se você faz o que ela precisa, quanto custa, e como ela fecha com você. O resto, por mais orgulho que te dê, é barulho no caminho dela.
Pense num salão de beleza que faz um site novo. A dona quer mostrar tudo: a história do salão, a equipe, cada serviço, as premiações, as fotos da reforma. O site fica lindo aos olhos dela. Só que a cliente que chegou pelo celular queria uma coisa só: “vocês fazem progressiva, quanto custa, e dá pra agendar pra sábado?”. Ela rola, rola, não acha o preço, não acha o botão de agendar, cansa e vai pro salão da esquina que respondeu isso no primeiro toque. O site não era feio. Era feito para a dona, não para a cliente.
Como virar essa chave, na prática:
- Escreva quem é a pessoa e o que ela quer. Uma frase: “é alguém que precisa de X, com pressa, pelo celular”. Coloca essa frase na sua frente antes de decidir qualquer coisa do site.
- Liste as três perguntas que ela faz antes de fechar. Geralmente são: você faz o que eu preciso, quanto custa, e como eu compro ou agendo. Responda essas três primeiro, logo no topo, sem ela ter que caçar.
- Corte o que é sobre você e não ajuda ela a decidir. Sua história e seus prêmios podem entrar, mas lá embaixo, depois que ela já achou o que importa. Primeiro a dúvida dela, depois o seu orgulho.
- Olhe pelo olhos de quem não conhece. O que é óbvio para você, que vive disso, não é óbvio para quem chega de fora. Aquilo que você nem repara pode ser exatamente onde a pessoa empaca.
Repare que nada disso é sobre deixar o site mais bonito ou mais cheio. É sobre deixar ele mais fácil para uma pessoa específica, com uma pressa específica, resolver uma coisa específica. Quando você desenha pensando nela, o site fica mais simples, e mais simples vende mais.
Seu próximo passo custa um café. Chame alguém que não conhece o seu negócio, um amigo, um vizinho, um parente. Peça para essa pessoa fazer uma tarefa no seu site, tipo “descobre quanto custa tal coisa” ou “tenta agendar um horário”. E aí faça a parte mais difícil: fique calado e só observe. Onde ela hesitar, onde ela franzir a testa, onde ela perguntar “e agora?”, é exatamente ali que o seu cliente real está se perdendo todos os dias.
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